Olá
Pela sua beleza, pela sua nobreza, pelo seu misticismo, mas também pela sua doçura e dedicação, o gato tem sido, ao longo dos séculos, a musa inspiradora de tantos e tantos escritores, poetas, compositores, pintores, escultores.
É a Dante Alighieri, o mais genial poeta de Itália, que se deve, em parte, a recuperação do crédito e admiração pelos gatos, depois da fase negra da Idade Média. Os gatos foram também fonte de inspiração para Goethe, Lope de Vega, Ernest Hoffmann e tantos outros. Quem não ouviu já falar do famoso Gato Murr (de Hoffmann), do Gato das Botas (tornado famoso pelos Irmãos Grimm), de Thomas Gray – o gato filósofo (de Philip J.Davis).
E quem não conhece os encantadores “Aristogatos”? A Duquesa e os seus adoráveis filhotes – Maria, Berlioz e Toulouse. E o bom amigo Tom?

E o Garfield? Encanto de “gato”!

Ao longo das nossas “conversas” tenho tentado mostrar um pouco como os nossos amados gatos têm sido inspiração para tantos belos escritos de outros tantos consagrados nomes da literatura: Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, Mia Couto, etc., etc., etc.
Seria um erro imperdoável não falar da escritora francesa Colette (1873-1954). Não houve, talvez, ninguém que tanto tivesse amado os gatos e os tivesse retratado com tanta frequência na sua obra literária. Esta “terá sido o mais belo hino de toda a literatura à grandeza e à beleza dos gatos” – José Jorge Letria – “Amados Gatos”.
E como sou de Leiria, seria também um erro imperdoável esquecer-me de grandes nomes que, também aqui nascidos, por vezes se inspiraram nos gatos para escreverem. São encantadores estes dois poemas.
O Gato
Em Janeiro, no mês que principia,
é natural que o “Foco” seja um gato!
Por isso lhe estampamos o retrato
tão flagrante que quase arranha e mia.
Não beija a mão de quem o acaricia.
Ao contrário do cão, é rude e ingrato,
mas nessa relutância ao doce trato
que dignidade a sua! Que ousadia!
Depois, no amor não usa fingimento,
Impõe-se, quer, tem actos de tirano
e grita o seu triunfo à lua e ao vento!
Ponha os olhos ali o ser humano
e diga se tem mais merecimento,
corpórea e moralmente, que um bichano!
Acácio de Paiva
Pela sua beleza, pela sua nobreza, pelo seu misticismo, mas também pela sua doçura e dedicação, o gato tem sido, ao longo dos séculos, a musa inspiradora de tantos e tantos escritores, poetas, compositores, pintores, escultores.
É a Dante Alighieri, o mais genial poeta de Itália, que se deve, em parte, a recuperação do crédito e admiração pelos gatos, depois da fase negra da Idade Média. Os gatos foram também fonte de inspiração para Goethe, Lope de Vega, Ernest Hoffmann e tantos outros. Quem não ouviu já falar do famoso Gato Murr (de Hoffmann), do Gato das Botas (tornado famoso pelos Irmãos Grimm), de Thomas Gray – o gato filósofo (de Philip J.Davis).
E quem não conhece os encantadores “Aristogatos”? A Duquesa e os seus adoráveis filhotes – Maria, Berlioz e Toulouse. E o bom amigo Tom?

E o Garfield? Encanto de “gato”!

Ao longo das nossas “conversas” tenho tentado mostrar um pouco como os nossos amados gatos têm sido inspiração para tantos belos escritos de outros tantos consagrados nomes da literatura: Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, Mia Couto, etc., etc., etc.
Seria um erro imperdoável não falar da escritora francesa Colette (1873-1954). Não houve, talvez, ninguém que tanto tivesse amado os gatos e os tivesse retratado com tanta frequência na sua obra literária. Esta “terá sido o mais belo hino de toda a literatura à grandeza e à beleza dos gatos” – José Jorge Letria – “Amados Gatos”.
E como sou de Leiria, seria também um erro imperdoável esquecer-me de grandes nomes que, também aqui nascidos, por vezes se inspiraram nos gatos para escreverem. São encantadores estes dois poemas.
O Gato
Em Janeiro, no mês que principia,
é natural que o “Foco” seja um gato!
Por isso lhe estampamos o retrato
tão flagrante que quase arranha e mia.
Não beija a mão de quem o acaricia.
Ao contrário do cão, é rude e ingrato,
mas nessa relutância ao doce trato
que dignidade a sua! Que ousadia!
Depois, no amor não usa fingimento,
Impõe-se, quer, tem actos de tirano
e grita o seu triunfo à lua e ao vento!
Ponha os olhos ali o ser humano
e diga se tem mais merecimento,
corpórea e moralmente, que um bichano!
Acácio de Paiva
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O Gato
O gato à sua janela,
ao sol que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando:
”Ó minha linda casinha,
tu és minha, muito minha,
nem há outra melhor que ela!”
O gato à sua janela,
ao sol que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando:
Pelas longas noites de invernia,
quando o vento, num lamento,
muito lento, muito longo,
muito fundo, de agonia,
ruge e muge,
e a chuva bate à janela,
nos vidros, fina a tinir,
- ai como é bom dormir
ao serão, todo enroscado
ao pé do lume doirado,
fazendo ron-ron, ron-ron…
O gato à sua janela,
ao sol que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando:
“Não tenho inveja a ninguém:
nem aos pássaros no ar,
a voar;
nem aos cavalos saltando,
galopando;
nem aos peixinhos do mar,
a nadar;
não tenho inveja a ninguém,
aqui da minha janela,
onde me sinto tão bem…
Ó minha linda casinha,
tu és minha, muito minha,
não há outra melhor que ela!”
Afonso Lopes Vieira
O gato à sua janela,
ao sol que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando:
”Ó minha linda casinha,
tu és minha, muito minha,
nem há outra melhor que ela!”
O gato à sua janela,
ao sol que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando:
Pelas longas noites de invernia,
quando o vento, num lamento,
muito lento, muito longo,
muito fundo, de agonia,
ruge e muge,
e a chuva bate à janela,
nos vidros, fina a tinir,
- ai como é bom dormir
ao serão, todo enroscado
ao pé do lume doirado,
fazendo ron-ron, ron-ron…
O gato à sua janela,
ao sol que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando:
“Não tenho inveja a ninguém:
nem aos pássaros no ar,
a voar;
nem aos cavalos saltando,
galopando;
nem aos peixinhos do mar,
a nadar;
não tenho inveja a ninguém,
aqui da minha janela,
onde me sinto tão bem…
Ó minha linda casinha,
tu és minha, muito minha,
não há outra melhor que ela!”
Afonso Lopes Vieira

Até breve